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30 de mai, 2025 · 2 min de leitura

Pensando com as Oliveiras

Escrito por Marco Bombardi

A vida vem em ritmo intenso ultimamente. Um recente susto de saúde funcionou como alarme de que, embora trabalho e vida parecessem bem na superfície, eu vinha tratando meu corpo como máquina. Todo aquele tempo com IA certamente não ajudava.

Eu sabia que precisava de espaço para reflexão, pensamento profundo e algum 'não-pensar' intencional para desenhar um caminho melhor à frente.

Então me hospedei num centro de desenvolvimento pessoal no centro de Portugal, encravado entre oliveiras e colinas suaves. Cenário simples com a sensação de uma grande casa de fazenda familiar. Compartilhei refeições, às vezes cozinhei, meditei e participei de atividades diárias ao lado de voluntários internacionais, parte de um típico programa WWOOF, mas com uma camada extra de trabalho de crescimento pessoal.

Conviver com seis estranhos virou uma sala de aula para aprender, compartilhar, ensinar e, às vezes, simplesmente estar junto. Acima de tudo foi maravilhoso estar entre pessoas afins, simplesmente compartilhando sobre nossa humanidade e o interesse em exercê-la e praticá-la.

Passei um tempo descobrindo o que realmente me estressa versus o que genuinamente me restaura, reconectando-me com meu propósito mais profundo além das demandas diárias. Trabalhei o equilíbrio entre minha inclinação natural ao altruísmo e o autocuidado necessário, lembrando-me de que servir aos outros de forma sustentável exige primeiro encher meu próprio poço. Também pratiquei ser mais ponderado quanto à minha natureza de estrategista/planejador/aprendiz/leitor de futuro, lembrando que 'a dose faz o veneno' se aplica ao consumo de informação e ao pensar tanto quanto a qualquer outra coisa.

Além de algumas sessões 1-1 de trabalho transformacional profundo, momentos-chave vieram das atividades mais simples. Empilhar lenha virou uma forma de meditação em movimento. Longas caminhadas entre as oliveiras observando seus troncos fortes e raízes serviram de inspiração. Ver o cão visitante deitado contente na sombra, sem uma única preocupação, ofereceu uma aula de como encarnar um estado mental verdadeiramente repousante.

As oliveiras, descobri, são excelentes parceiras de pensamento. Estão enraizadas ali há décadas, atravessando estações, produzindo fruto, exigindo paciência. Há sabedoria na sua quietude.

Como alguém apaixonado por empoderar pessoas a crescer, fui lembrado de que performance sustentável não é só um conceito sobre o qual faço coaching dos outros. É uma prática que preciso voltar a encarnar mais plenamente. A ironia não me escapou. Humanos imperfeitos…

O que descobri entre aquelas árvores antigas é que, às vezes, a coisa mais corajosa que podemos fazer é nos afastar do urgente para nos reconectar com o essencial. O crescimento acontece não só no fazer, mas nos espaços entre; nas pausas, nas respirações, nos momentos em que lembramos quem somos por baixo de todos os papéis que desempenhamos.

As oliveiras seguem ali, enraizadas e pacientes, continuando seu trabalho silencioso de transformação. Lembraram-me de que o crescimento mais sustentável espelha a própria natureza: raízes profundas, estações pacientes e a sabedoria de saber quando descansar e quando se estender em direção à luz.